Amigos para vida

Valeria Guerra

"O discurso que nunca aconteceu, mas deveria..."

  Meus queridos Pirralhos, BOA NOITE!

  UAU!!! Preciso dizer que estou com milhões de borboletas na barriga neste momento.

  Quem diria que um dia, eu receberia o convite de vocês, com a minha foto colada na porta da sala de aula dizendo mais ou menos assim: procura-se a esta menina maluquinha para ser nossa PARANINFA.

  Ser escolhida como a Paraninfa de vocês foi o maior presente do universo e com ele veio maior responsabilidade do mundo: ser a fada madrinha e mentora intelectual de vocês. Obrigada!!! Isto não tem preço!

  Tecnicamente, neste momento eu deveria dizer coisas inteligentes e legais, citar autores importantes para deixar este discurso elegante. Mas não seria eu...

  Nestes 4 anos, esta turma tão amada, foi revolucionaria e deixou marcas únicas na UNIB. Preciso contar a verdade, quando eu cheguei na sala de aula de vocês pela primeira vez, encontrei diversas facções. Era um esquema meio “filme de terror”! Dava medo!!!!

  E foi neste cenário, que recebemos o desafio de realizar uma semana de Negócios. As facções precisariam se transformar em um time único e coeso, caso contrário, daria muito ruim! Em nome de algo maior, vocês abriram mão das suas diferenças, aprenderam o verdadeiro significado das palavras ÉTICA,  RESPEITO e TIME, e fizeram o melhor show da história da UNIB.

  Um dia me perguntaram como eu consegui fazer isso e de quebra ter sala cheia (em plena sexta feira) e a resposta era: eu faço bulling com eles ... a cada atraso uma bolinha rosa choque era colada, não é mesmo? E assim, vocês aprenderam a chegar na hora e a avisar quando tinham problemas no trajeto a faculdade. Isto chama RESPEITO.

  Por vezes, vocês acreditaram em milagres e muitas vezes chegaram a rezar durante a semana de provas para a Nossa Senhora da Santa Alergia – “as preces eram mais ou menos assim:  faça essa louca espirrar respostas na prova”. E para a Nossa Senhora da Santa Cola: “não deixa eles me pegarem! Eu imploro!! Isto se chama FÉ!

  É... e assim o tempo passou rápido e hoje estamos aqui, prontos para uma nova etapa. Alguns dizem: A brincadeira acabou – daqui para frente a coisa é séria! Mas quem foi que disse que deve ser assim? Em que manual está escrito que vocês não poderão mais sorrir e se divertir?

  Sim, vocês se casaram com as suas profissões! Isto significa que como todo bom casamento ele deve ser meticulosamente cuidado e regado diariamente. Mas como?

  Vamos lá aos 10 conselhos de ouro:  :D

1.       ESTUDEM! Faça um curso de idiomas, uma pós-graduação, quem sabe um mestrado... Afinal, alguém precisará dar continuidade ao nosso legado.

2.     NÃO TENHAM MEDO! NÃO TEMAM O DESCONHECIDO! Como diz o Mestre IODA: O medo é o caminho para o lado negro. O medo leva a raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento. Sim, o desconhecido dá frio na barriga, e nos desafia a ser melhor – VIAJEM! Explorem o novo, APRENDAM A APRENDER! Vocês não nasceram sabendo de tudo! Existem lugares legais que merecem ser conhecidos! Existe gente bacana por aí, e o mais importante, sempre existirá uma novidade legal a espera de ser descoberta.

 

3.     ERREM e divertiam-se com seus erros! Seus erros te ensinarão o valor dos seus acertos. Lembrem-se: quem nunca errou é por que nunca tentou. Portanto errem MUITO e tentem de novo (mil vezes se for necessário)! DIVIRTAM-SE com seus erros e depois  RIAM deles – Garanto que neste momento vocês terão a certeza de ter aprendido uma valiosa lição de vida.

 

4.     RALEM MUITO! SOUR E LAGRIMAS FAZEM PARTE! Não existe milagre... é ralando que conseguimos a excelência. Dói pacas ralar... Mas lembre-se estas cicatrizes te lembrarão a importância do esforço e da dedicação. Em caso de dúvida, SIGAM A REGRA DO KISS – KEEP IT SIMPLE STUPED – quanto mais simples, mais mágico.

 

5.     SEJAM ÉTICOS! O Brasil precisa ser reconstruído com ética, comprometimento e integridade. O SUCESSO não cai do céu! – alias do céu só

cai chuva e de vez em quando umas pedras inesperadas... O sucesso é consequência de muita ralação e de respeito e muita dedicação e comprometimento.

 

6.    CUIDADO COM O POTE DE MERDA! Não se violentem. Sempre existirá um babaca disposto a te fazer comer MERDA. Isto não significa que vocês devam come-la. Não temam. Sigam a sua intuição –  e não hesitem em mandar o babaca tomar no “K do espanhol”, sempre e quando for necessário! Isso pode custar o seu emprego? Talvez sim, provavelmente não. Babacas costumam recuar ao serem confrontados!

 

7.     JAMAIS SEJAM BABACAS! RESPEITEM PARA SER RESPEITADO! Isso significa que sempre existirão limites para você e para os outros. Não façam com os outros aquilo que definitivamente você ODIARIA que fizessem com você. Lembrem-se sempre de deixar a saída honrosa aberta, aos babacas de plantão!

 

8.     AMEM INCONDICIONAMENTE! Apaixone-se pelo que você faz e por quem você é. Este amor SERÁ a sua força e te levará a novas aventuras e te ajudará a se levantar quando tudo der errado!

 

9.    NUNCA, JAMAIS desistam dos seus SONHOS! Seus sonhos serão a salvação da sua vida, quando você precisar se reinventar. E em hipótese nenhuma PERCAM A FÉ! Muitas vezes, ocorrerão situações que a sua fé será colocada a prova – Vocês terão dúvidas cruéis sobre tudo e todos. Mantenham a fé, que as coisas entrarão no lugar!

  Como diziam Steve Jobs, o tempo é curto e a jornada é longa. Vivam intensamente cada minuto da sua vida. O Passado já foi, o Futuro a Deus pertence e o presente é uma dádiva divina.  A gente se vê por ai... Amo vocês! Bons voos e sejam felizes!

Cida Gomes

"Por que interpretar textos é tão difícil?"

Nesta primeira crônica, quero comentar sobre algo que incomoda demais os alunos de todos os níveis de ensino: interpretação de texto.

Dizia o saudoso educador Paulo Freire: “a leitura do mundo precede a leitura das palavras”. Para mim, esta afirmativa é autoexplicativa, não requer maiores explicações. No entanto, como os leitores podem não conhecer o significado, vou dissertar um pouco sobre o assunto.

O que é interpretar? Em breves palavras, é entender o assunto de uma determinada maneira. E como interpretar? É justamente este o problema! Para interpretar são necessárias duas condições: saber ler e ter experiência de vida.

 

Saber ler não significa apenas decifrar o conjunto de letras. Significa, também, ter a capacidade de olhar em volta e entender o que está acontecendo. Observar um grupo de pessoas e perceber se ali existe uma reunião amigável ou uma briga. Presenciar dois homens abraçados e, antes de criticar,  entender que não se trata de um casal de namorados, mas de pai e filho (e mesmo se fosse um casal de namorados não haveria motivo para críticas, mas este é assunto para uma próxima crônica).

 

Enfim, “ler” significa observar e, observando, entender. É isto que afirmava Paulo Freire ao dizer “leitura do mundo”: olhar em volta e interpretar o que está acontecendo. A beleza de não conseguir interpretar o mundo é assumir que não sabemos tudo, que não entendemos tudo e, portanto, precisamos que alguém nos explique ou então temos que ir buscar essa informação, pesquisar, estudar, rever e daí voltar a olhar aquela cena e entender.

 

E o mais fantástico é que, talvez, quando voltarmos a olhar aquela cena, o entendimento venha de uma forma que não tínhamos imaginado antes, porque agora temos mais informações a respeito. E o mais fascinante ainda é que, após termos interpretado, um outro dia, quando virmos de novo aquela cena, podemos formar um pensamento totalmente diferente sobre ela, porque então teremos vivido mais, teremos adquirido mais experiência e seremos mais capazes de colher outros resultados observando o mesmo cenário.

 

A leitura do mundo, conforme o mestre, permite que possamos compreender os fatos à nossa volta, que formemos opinião, que tomemos partido, que tenhamos argumentos para expressar nossa posição diante das coisas.

 

Muito bem... e a leitura da palavra? Esta se aprende na escola. O professor ensina que B + A = BA e, depois disto, descobrimos o mundo maravilhoso das palavras. E juntamos uma com a outra e formamos frases. E juntamos frase com frase até formarmos um pensamento.

E então começamos a ler os livros, os contos, os romances e entendemos tudo. Mas, como dizem os jovens hoje: só que não! E por que não? Gosto de afirmar que para entender o que está escrito, temos que ter repertório de vida. Temos que ter leitura de mundo. Experiências, vivências, exemplos, alegrias, tristezas, medos, incertezas, arrependimentos, amores, desamores... Tanta coisa forma um ser humano, e todas elas, quanto mais melhor, tornarão a interpretação do texto escrito mais fácil.

 

Porque a leitura do mundo precede a leitura das palavras! Ou seja: ler o mundo vem antes de ler as palavras. Claro! A criança nasce analfabeta, mas nasce lendo o mundo, vendo as pessoas, reconhecendo quem é quem, percebendo qual é o ambiente em que ela se sente melhor e assim por diante. A criança lê o mundo e vai interpretando: disso eu gosto, disso não; essa pessoa me trata com carinho, essa não.

 

E conforme a criança vai crescendo, o seu repertório vai aumentando. Se ela tiver experiências variadas de vida, quando começar a ler as palavras terá mais facilidade de interpretá-las que aquela outra criança que ficou restrita a um ambiente e a algumas pessoas. Por exemplo: a criança que vai para a creche ou para algum lugar onde haja várias crianças, terá experiências e vivências muito mais ricas e complexas que a criança que ficou em casa, tendo por companhia apenas a família.

 

Quando a criança que foi para a creche começar a ler, entenderá perfeitamente as relações de amizade que se apresentarem no texto, enquanto a criança que ficou em casa terá dificuldades para entender porque a personagem da história fala com outras pessoas que não são da família.

 

Se a pessoa continua a crescer fechada em um mundinho, sua visão de mundo não se ampliará e ela terá dificuldade de interpretar tanto a vida como o texto escrito.

 

Para adquirir experiências e vivências temos de nos aventurar mundo afora. Não se trata de sair vagando por aí, viajando, conversando com quem encontrar pela frente e se metendo nas mais diversas situações. Não! Trata-se de vivenciar o que está à nossa disposição, de graça ou custando muito pouco, e que muitas vezes nem percebemos ou estamos tão acomodados que deixamos passar.

 

Faça um teste com você mesmo e responda sim ou não para as seguintes perguntas: já visitou a Avenida Paulista aos domingos? Já foi à Parada Gay? Já participou de alguma manifestação de rua? Já foi ao estádio de futebol? Já foi assistir à Orquestra Sinfônica, no Teatro Paulo Eiró, em Santo Amaro, ou a um espetáculo de dança, neste mesmo teatro? Já andou de bicicleta numa ciclovia? Já participou de uma corrida de rua? Já foi ao Zombie Walk? Já saiu num bloco de carnaval? Se você respondeu NÃO a mais de duas perguntas, você está se boicotando! Está deixando de vivenciar coisas interessantes e que não custam nada, é de graça! Quem mora em São Paulo não pode se queixar de opções de lazer gratuitas e de vivenciar muitas experiências interessantes.

 

Daí, você pensa: eu não sou a favor de gays, o que vou fazer na Parada Gay? Ou: eu não gosto de Carnaval, para que vou sair num bloco ou numa escola? E por aí vai... E a resposta é: para adquirir experiência, vivência, e aprender a interpretar o mundo e as palavras. Para olhar as pessoas, ver como elas se comportam, para adquirir o seu próprio repertório em vez de consumir o repertório das outras pessoas, para desenvolver o seu senso crítico em vez de aceitar o que os outros dizem sem que você mesmo tenha passado pela experiência.

Quem não se permite conhecer coisas novas terá dificuldade para interpretar. Quem nunca participou de uma manifestação de rua não vai entender o relato emocionado, ou revoltado, de quem esteve lá. Quando ler um texto sobre isto, vai apenas encontrar dificuldade de entender por que aquilo é tão importante. Vivenciar situações diversas vai ampliando nosso repertório e nos ajudando a relacionar fatos, a construir pensamentos mais complexos e elaborados.

 

Quando a pessoa lê o mundo, as palavras começam a fazer muito mais sentido!

Minicurrículo

Maria Aparecida de Jesus Gomes é professora de Português e Mestre em Comunicação e Letras. Trabalhou em diversas faculdades e atualmente é profissional autônoma, dando assessoria a estudantes e profissionais da escrita.

Andréa Poeys

"O que você tem feito nesses tempos de COVID-19?"

     Por Andréa Poeys Cabral Daniel

      Psicóloga

 

Tenho pensado bastante...

Precisamos sair dessas pandemia melhor do que entramos!

 

Estamos vivendo algo que não desejávamos.

Mas independentemente do nosso desejo, nos adaptar a essa realidade tão preocupante, é fundamental.

 

Precisamos nos proteger e proteger o outro.

 

Quando não podemos circular despreocupadamente, somos invadidos por sentimentos de angústia, medo e raiva.

 

São muitas as incertezas que nos invadem nesses tempos de isolamento social.

 

Mas tudo na vida tem dois lados!

 

E qual seria o outro lado de tudo isso?

 

Precisamos ser criativos!

Ampliar nosso olhar criando rotinas e formas de se relacionar mais satisfatórias.

Desenvolver habilidades, nunca antes pensadas.

 

Ler, cantar, conversar, jogar, pintar, cozinhar, se exercitar, escrever, cuidar das plantas, etc...

Se for o caso, escrever e seguir uma rotina diária de atividades, ajuda muito.

Se antes não tínhamos tempo, agora temos!

 

Podemos nos olhar mais profundamente e olhar também o outro.

Revisitar nosso dia a dia, pensar no que fazíamos e no que fazemos agora.

Prestar atenção em pequenas coisas e fazer planos pro futuro.

 

Passar por tudo isso, por meses, e não tirar nenhuma lição positiva... é uma pena!

 

E quando tudo isso passar, e vai passar, precisaremos nos orgulhar de nós mesmos.

 

Então, coragem!

Desenvolva ao máximo sua criatividade.

Fabricio Duarte

"Dinheiro X Felicidade"

Dinheiro, traz felicidade? 

Essa é uma pergunta bem complicada! Assim como eu, você já deve ter ouvido muito a afirmação: “Dinheiro não traz felicidade!”. Acho que todas as pessoas que conheço foram criadas ouvindo essa frase desde cedo, e isso nos faz refletir que “se não traz felicidade, então pra que me esforçar pra conseguir muito dinheiro?”, e é com esse pensamento que grande parte dos futuros potenciais milionários, acabam por não se realizarem, e pior, enfrentando as mesmas dificuldades de quem lhes ensinou esse dito popular. 

O grande problema não é a frase, é a interpretação, pois ao pé da letra, de fato, o dinheiro não traz felicidade, do contrário, onde abunda a riqueza, não haveria razões para tristeza, portanto, isso significa que você não deve depositar a sua esperança de ser feliz no dinheiro, exemplificando, você já deve ter visto pessoas riquíssimas, e que são tristes, infelizes, assim, podemos garantir que o dinheiro não traz felicidade, mas ele traz algo de extrema importância para nossas vidas, que podemos chamar de Possibilidade! 

 

Mas como assim, Possibilidade? Exato! Você tem a Possibilidade de comer em bons lugares, a Possibilidade de garantir um bom plano de saúde, de manter uma boa escola para seus filhos, de fazer boas viagens, presentear seus familiares, entre outras coisas. Ou seja, ele te dá a Possibilidades, e não Felicidade. Por isso, não deposite sua esperança de ser feliz, em ter dinheiro, mas trabalhe arduamente para tê-lo, para que você possa realizar seus desejos e seus objetivos. 

Dessa forma, gostaria de encerrar esse texto com a licença poética de alterar a frase, acrescentando: 

Dinheiro não traz felicidade, traz Possibilidade! 

Fabrício Duarte, 17/07/2019 

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